A teoria do “trocar seis por meia dúzia” funciona no automobilismo?

Diz a regra que quem sabe , sabe. Seja aqui ou debaixo d’água, certo? Isso nos leva a crer que professor é professor, mecânico é mecânico, músico e músico, etc. O ditado popular “trocar seis por meia dúzida” significa uma mudança que não interfere em nada, ou seja, algo que dá no mesmo. Sendo assim podemos considerar que piloto é piloto, independentemente de qual seja a categoria em que ele corra, certo? Será mesmo?

Tudo bem. Existem muitos critérios, épocas e situações que se tornam variáveis determinantes pra responder isso. Então, pra tentar facilitar, eu vou mencionar quatro pilotos de duas gerações diferentes que, em determinada época, chegaram a se enfrentar ao mesmo tempo e na mesma categoria. São eles: Mario Andretti e Emerson Fittipaldi, que rivalizaram durante vários anos em mais de uma categoria e Michael Andretti e Christian Fittipaldi, que também rivalizaram durante alguns anos em mais de uma categoria.

Eu quero relembrar alguns fatos do passado que caracterizaram as carreiras destes caras. Daí teremos mais condições de colocar à prova a teoria “seis por meia dúzia”.

EXEMPLO 1: MARIO ANDRETTImario-andretti
Na minha opinião, embora não fosse nenhum fenômeno das pistas, ao menos extremamente competente é possível dizer que ele foi. O cara correu de tudo que se pode imaginar: F1, Fórmula Indy, Le Mans e Turismo.
Italiano naturalizado americano, o tiozão hoje está com 69 anos de idade e foi
o precursor do nome Andretti no automobilismo mundial. Depois dele vieram vários outros familiares como por exemplo, John, Michael e Marco, entretanto nenhum deles com tamanho êxito.  

Pontos altos da carreira: Tetracampeão na Indy / Campeão da F1 em 1976 pela Lotus / Vencedor das 24h de Daytona em 1975 / 30 participações nas 500 milhas de Indianápolis (de 1965 a 1994) vencendo em 1969 / Segundo lugar nas 24h de Le Mans em 1995.

Veredito: sim, este foi “seis por meia dúzia”.

Por incrível que pareça Mario encerrou a carreira em 2003 após uma inacreditável sequência de “loopings” durante testes de pneus para seu filho Michael Andretti, em Indianápolis. Ao passar por um pedaço do carro de Kenny Brack, que se acidentara metros a frente, o carro levantou vôo a aproximadamente 360km/h. Milagrosamente ele teve apenas leve escoriações. Veja aqui:

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EXEMPLO 2: EMERSON FITTIPALDIemersonfittipaldi
Esse é o cara! O Emerson é considerado o principal responsável pelo sucesso brasileiro no automobilismo mundial. Hoje com 63 anos, foi o homem que colocou o Brasil na rota da velocidade e que abriu as portas para todos os demais pilotos brasileiros surgirem. 
Acho que nas pistas sua maior qualidade era a regularidade, sempre fui fã de seu estilão e hoje não vejo nenhum outro piloto que se assemelhe. Emerson sempre andou bem por onde passou, sempre atacava na hora certa, sempre poupou na hora que devia e sempre soube como agir de acordo com a situação. Por todos estes motivos é extremamente respeitado por todos.

Pontos altos da carreira: Bicampeão de F1 (1972 e 1974) / Campeão na Indy (1989) / Bicampeão das 500 milhas de Indianápolis (1989 e 1993), sendo o primeiro brasileiro a vencer no templo sagrado do automobilismo mundial / Fundador da primeira e única equipe brasileira que competiu na F1, a Copersucar. Além de dono da equipe, pilotou pela mesma.

Veredito:
sim, este foi “seis por meia dúzia”.

Primeira vitória de Emerson nas 500 milhas de Indianápolis, 1989. Bem louco:

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EXEMPLO 3: MICHAEL ANDRETTI
 MICHAELandretti
Bem, aqui o discurso muda. Michael é filho de Mario e, por conta do sucesso do pai, teve sua entrada no automobilismo bem facilitada. É fato que obteve êxito na Indy, venceu corridas e chegou a ser campeão, mas quase sempre esteve guiando carros competitivos.
O auge de sua carreira pára por aí e suas grandes atuações se restringem ao território norte americano. Em 1992 foi campeão na Indy e, por este motivo, foi contratado pela McLaren para disputar o mundial de F1 em 1993, como companheiro de equipe de ninguém menos do que Ayrton Senna. Resultado? Um vexame! Por conta dos vários acidentes, falta de performance e deficiências técnicas, foi demitido a cinco etapas do final e voltou “correndo” pros EUA.

Pontos altos da carreira: Campeão da Indy / convite pra correr na F1.

Veredito:
não, este passou longe de ser “seis por meia dúzia”

Michael Andretti em um de seus momentos ridículos  na F1. Veja:

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EXEMPLO 4: CHRISTIAN FITTIPALDI  christian
Pra ser sincero? A coisa é triste… Sobrinho de Emerson, Christian até que foi bem na Europa quando participou das categorias iniciantes e de acesso à F1. Ele vem da mesma safra de pilotos que incluía Barrichello e conseguiu chegar a F1 antes do Rubinho, mas…  
A expectativa de ter outro Fittipaldi na F1 era fantástica! Na época Piquet se aposentava e Senna era tricampeão, logo, a responsabilidade nem era tão grande pra cima dele. É certo que Christian nunca teve um bom carro na F1 e por isso nada conseguiu, mas mesmo correndo em outras categorias como na Indy e Nascar, não se firmou e não conseguiu nada. E olha que nestas últimas duas categorias teve carros excelentes!

Pontos altos da carreira: Três vitórias na Indy / O único brasileiro a correr pela Nascar / Um “looping perfeito” com uma Minardi quando corrida na F1 logo após cruzar a linha de chegada em Monza (1993)

Veredito:
não, este passou longe de ser “seis por meia dúzia”.

Momento notável! O perfeito looping do Christian em Monza, 1993. Fantástico:

 

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Cheguei a conclusão de que poderia citar muitos outros nomes como Nigel Mansell, Alessandro Zanardi, Juan Pablo Montoya, Jacques Villeneuve, etc. Na verdade fatos assim sempre aconteceram e sempre vão acontecer, mas acho que eu precisaria de uns 3 posts pra contar estas histórias! Quem sabe num futuro próximo, se acharem interessante. 😉 

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5 pensamentos sobre “A teoria do “trocar seis por meia dúzia” funciona no automobilismo?

  1. Rafael Rosa disse:

    Ta aí… nem sempre filho de peixe, peixinho é. Por isso é um erro esperar dos filhos ou enteados os mesmos feitos dos mais velhos. A expectativa e a pressão criada precocemente sobre um piloto é um ato herrôneo e um tanto quanto egoísta. Por isso eu temo a entrada do Bruno Senna na F-1., não por talvez não conseguir desempenhar um bom papel, mas pelos comparatívos feitos por todos em relação a seus antecessores… Nenhum piloto e nem ninguém merece isso.
    Claro que isso não significa que os “sucessores” não possam ser extremamente bons, talentosos e talvez até mesmo superiores, nas mesmas ou em outras categorias categorias e principalmente na F-1, mas é muito difícil e em especial nesta última.
    Se um “filho de peixe” superar o peixão, pode ter certeza que o cara sofreu uma mutação e virou tubarão!

  2. guschafer disse:

    Gostei do post André… bacana os comparativos…

    abraços

  3. Felipão disse:

    Rapaz, você está trabalhando mesmo nesse blog hein, gostei de ver, meus parabéns. Abraço.

  4. Rafael Mansano disse:

    Pois é cara, temos vários exemplos como esses. Alguns pilotos brasileiros também podem ser citados, como Antônio Pizzonia por exemplo. Um fracasso na F1 mas vencedor nas categorias de base. Talvez seja carro, talvez seja braço. Difícil saber o certo…

  5. Olá,

    Muito interessante esses 4 exemplos de “trocar seis por meia dúzia”, vimos que, os veteranos, Mario Andretti e Emerson Fittipaldi, foram personalidades no automobilismo que souberam utilizar positivamente essa expressão, ou esse ditado popular, deixando bem nítido suas performances em qualquer modalidade que fossem colocados, porém, acredito que quando um sucessor com nome forte de seus parentes como no caso dos Michael Andretti, filho de Mario Andretti e Christian Fittipaldi sobrinho do Emerson, não lhes couberam muito bem o ditado e muito menos desempenharam um bom trabalho, no caso deles se queriam ser reconhecidos como foram seus parentes, se esforçassem mais, penso que se você tem um ídolo, então tenta fazer e ser melhor do que ele. Bom, não acompanho muito F1, Fórmula Indy e outros, rsrsrs… Porém, gostaria de ver uma comparação entre Ayrton Senna e seu sobrinho Bruno Senna, será que esse entrará nesse ditado ?

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