Do céu ao inferno a 300km/h

Assim foi a sensação da torcida brasileira ao acompanhar o GP do Brasil de F1 neste último fim de semana.  O sábado reservou 2h40min de treino classificatório em Interlagos. Foi o treino mais longo da história, mas que teve um final emocionante e pra lá de esperançoso com Rubinho na pole e Button no longínquo décimo quarto lugar. Infelizmente no domingo foi tudo inversamente proporcional. Mal começou a corrida e logo na primeira volta vieram acidentes, vários abandonos, mangueira estourando nos boxes e fogo.

Com a sorte que caracteriza os campeões, Button se safou dos acidentes, ganhou posições importantes de adversários duros, além de ser extremamente talentoso e combativo durante toda a corrida. Era como se disse pra si mesmo: “Quer saber, vou pra cima e vou ser campeão!” Como assim deve pensar um vitorioso, assim ele conseguiu sagrar-se campeão fechando a corrida num fantástico quinto lugar.

COINCIDÊNCIAS E DESTAQUES

Alguns pontos curiosos e importantes devem ser ressaltados. Assim como aconteceu em 2008, um piloto inglês guiando o carro número 22, equipado com motor Mercedes, disputaria e venceria seu primeiro título mundial contra um brasileiro no Brasil. Alegria dos ingleses, lamentação e derrota em casa para os brasileiros.

Na corrida os destaques ficaram para Kobayashi, que substituindo o acidentado Timo Glock na Toyota, fez sua primeira corrida dando muito trabalho a seus adversários sem cometer erros. Fiquei muito surpreso com a atuação do japonês. Além dele, Vettel veio lá detrás pra chegar em quarto e assumir a vice liderança do mundial. Kubica foi outro que andou firme o tempo todo com a fraca BMW, obtendo o segundo lugar, além de Hamilton que mostrou toda sua capacidade consagrando a McLaren como a equipe que mais evoluiu na segunda parte do campeonato.

PORQUE RUBINHO PERDEU?

A chuva, que era pra ser a maior aliada de Rubens, não veio. Mas foi por isso que ele perdeu? Alguns amigos me fizeram esta pergunta. Acho que a Brawn realmente não tinha como peitar a Red Bull com pista seca, o que poderia ser totalmente o contrário se a pista estivesse molhada. Embora o carro de Rubinho tenha caído de rendimento após o primeiro pitstop, a culpa não foi dele, nem da equipe, nem dos pneus. O fato é que para manter um forte ritmo ele teria que fazer 3 pitops enquanto a Red Bull, pelo melhor conjunto em Interlagos, se manteve forte com apenas 2 pitstops. No final, além das dificuldades, Rubinho teve seu pneu esquerdo traseiro furado por Hamilton que, ao tentar ultrapassá-lo, deu um leve toque com sua a asa dianteira.

Rubinho é talentoso e competitivo, caso contrário não estaria há 17 anos na ativa e disputando o título. O problema é que ele não tem o perfil, a pegada, a chegada, o algo mais que um campeão tem, infelizmente…  Button não é nem um pouco como Prost, Senna, Lauda ou Schumacher e o equipamento imbatível que teve no começo do ano permitiu abrir a larga vantagem.  A partir do momento que os demais carros evoluíram, sua grande vantagem foi caindo e ele sentindo a ameça, mas não o suficiente pra que perder o campeonato.

Que venha o último GP do ano em Abu Dhabi daqui a 15 dias e com ele o fim da temporada. E que em 2010 possamos ter um ano tão fantástico e surpreendente como foi 2009!     😉

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3 pensamentos sobre “Do céu ao inferno a 300km/h

  1. Rafael Mansano disse:

    Mto bom seu texto! Eu li que o Button disse para o pai que ele ia pra cima e que o velho ia gostar de ver a corrida. Foi o que fez e mereceu ser campeão! Mesmo assim Rubinho foi nota 10!

  2. Samuka disse:

    Faco das minhas as palavras do Felipao!

    Esse foi um ano que comecou como grande promessa, mas ao longo dos GPs se tornou chato e monotono, com a superioridade da Brawn. Bom para o Button que soube aproveitar o momento e vencer varias corridas logo de cara. Ruim para o Barrica que apesar de dispor do mesmo equipamento nao conseguiu se impor dentro da equipe. Alias fica a sensacao de que ninguem mais trata o Rubinho como um piloto a ser levado a serio, eh sempre o segundao, piloto B. Nao eh um idolo, nem tampouco um campeao. Eh apenas um piloto muito bom que infelizmente nao tem estrela e que sempre falta um algo a mais nos momentos decisivos. Dificilmente tera outra chance dessas de ser campeao, foi de longe a melhor de sua carreira. No entanto, apesar de tudo admito: merece todo nosso respeito e admiracao!

    Em relacao a 2010 espero que as mudancas tragam ainda mais competitividade e mais emocao, uma vez que nao existira mais reabastecimento, e portanto, as estrategias jah nao serao tao importantes nesse sentido. Saberemos novamente quem eh o mais rapido nos treinos de classificacao jah que os pilotos andarao com o minimo de combustivel, ou seja, apenas o necessario para suas voltas lancadas. Quem sabe possamos ter corridas mais disputadas e um campeonato melhor equilibrado com mais pilotos na briga pelo titulo.

    Enfim, esse ano jah acabou agora eh aguardar pelas novidades do ano que vem, e principalmente pela definicao das equipes em relacao a suas respectivas duplas de pilotos (as que ainda nao estao definidas claro).

    Abraco!

  3. Felipão disse:

    Concordo com quase tudo, apenas acho que a temporada começou como uma grande promessa e no fim acabou decepcionando. As primeiras corridas foram ótimas e deram a impressão que este seria um dos campeonatos mais abertos dos últimos tempos, com Brawn, RBR, Toyota e até BMW prometendo bastante. Mas na sequência a realidade foi se mostrando outra, com apenas 2 equipes disputando o título. Com a evolução das demais equipes até houve mais disputa nas posições intermediárias, mas ficou nisso. A vantagem inicial de Button foi tão grande que passamos o restante do ano tratando-o como virtual campeão . Essa supremacia não foi boa para o campeonato, mas foi excelente para o inglês que soube aproveitá-la muito bem, mérito dele e da Brawn.

    As decisões dos títulos de 2007 e 2008 foram formidáveis, e embora tenha havido muita emoção no treino oficial e nas primeiras voltas, o GP do Brasil deste ano nem se compara aos anteriores. O destaque mesmo ficou por conta de Jenson Button, que como bem disse o autor deste blog, guiou como um campeão, bem diferente do que fez Hamilton em 2008, com aquela condução medrosa e burocrática (ah como ele merecia ter acabado a corrida atrás do Glock!).

    Ano que vem temos novas mudanças no regulamento e mais carros no grid, a princípio parece interessante, vamos ver que bicho vai dar.

    Falou Andresão, grande abraço!

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